Semente Planaltina

Este blog é destinado aos educandos do Curso Superior de Tecnologia em Agroecologia do IFB,
para a divulgação dos conteúdos das aulas; trabalhos, textos e ações desenvolvidas nas
atividades de ensino, pesquisa e extensão. Também serão publicados textos relacionados
à sustentabilidade planetária.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ciência de apenas 1 estudo baseou alterações no Código Florestal

A reforma do Código Florestal aprovada pela Câmara dos Deputados aproveitou base científica de apenas um estudo, com conclusões duvidosas ou erradas e ainda não devidamente publicado.



A afirmação foi feita pelo pesquisador Antonio Donato Nobre, em sua palestra Novas Geotecnologias no Ordenamento Territorial, dada na 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada durante a última semana, em Goiânia. Ele se refere a um trabalho de 2008, de Evaristo de Miranda, pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, que afirma que apenas 29% das terras do Brasil estão disponíveis para as lavouras.



Para Nobre, os achados de Miranda foram "avidamente apropriados por poderosos interesses políticos e econômicos". "Na esteira dessa apropriação, e substanciado pelo julgamento de valor emitido peloestudo, formou-se ampla frente política para alteração do Código Florestal", criticou Nobre, que é pesquisador dos institutos nacionais de pesquisas Espaciais (INPE) e da Amazônia (INPA). "O estudo,em essência, estimulou a percepção das forças políticas sobre uma realidade na qual não existiriam terras disponíveis para expansão das atividades agrícolas."



Em suas críticas, ele não está falando por falar. Nobre se baseia no estudo realizado por seu grupo no Centro de Ciência do Sistema Terrestre, do INPE, intitulado Zonas ripárias e o código florestal -Usando Geotecnologias na definição de APPs, apresentado em sua palestra na Reunião da SBPC. Foram mapeados 308.200 quilômetros quadrados, subdivididos em áreas menores nas regiões Norte,Nordeste, Sul e Sudeste. O estudo empregou uma tecnologia chamada de hidrografia digital em alta resolução, que usa imagens de radar e modelagem matemática para produzir acurados mapas em 3Ddos rios e outros corpos d’água. Depois, o estudo aplicou as determinações de faixas marginais para as matas ciliares (ripárias) do código florestal vigente, do substitutivo do deputado Aldo Rebelo que foi considerado na Câmara em uma de suas versões, e simulou um dos métodos empregados no estudo de Miranda, comparando os três.



Os resultados mostraram que se forem obedecidas as normas do atual código florestal, as matas ciliares protegidas em APP (áreas de proteção permanente) ocupam apenas 6,87% das terras. Pelo substitutivo Aldo Rebelo, esse índice cairia para 4,72% e no simulado de Miranda chegaria a 21,26%. “A APP ripária computada emulando o método de Miranda é 309% super-estimada em relação à APP utilizando hidrografia em alta resolução", revelou. "Não se justifica portanto dizer que o código florestal vigente protege áreas ripárias demais. Se o estudo de Miranda inflacionou as APPs ripárias desta forma, como confiar em seus outros números?"



As críticas de Nobre não param aí. De acordo com ele, o estudo de Miranda passou uma noção nãoquantitativa de que as APPs estariam genericamente tomadas por atividades agrícolas altamente produtivas. "Como até hoje a evolução do substitutivo Aldo Rebelo não contou com um aporte qualificado e sério de ciência, muitas dessas falsas premissas científicas ainda instruem o processo legislativo", disse.



Nobre fez ainda uma avaliação científica do estudo de Miranda, semelhante àquela feita por pares, aos quais são submetidos todos os trabalhos científicos antes da sua publicação. Por esse critério, trata-se, segundo Nobre, "de um estudo pioneiro em abrangência, aparentemente extenso e complexo, mas com aspectos críticos da metodologia inexplicavelmente omitidos, o que tem dificultado ou impedido a reprodução independente das análises feitas".



Além disso, para Nobre, é um trabalho “que saiu diretamente do laboratório para a imprensa e para os círculos de lobby político". Não obstante, lembrou, "dois anos e meio depois de seu anúncio, o estudo ainda não foi publicado em revista científica com corpo editorial na sua área de concentração (geociências). "Apesar das graves limitações metodológicas, admitidas em parte no próprio estudo, as conclusões são apresentadas com julgamento de valor e engajamento ideológico, contrariando as melhores práticas científicas de neutralidade objetiva."



Nobre diz que a "A SBPC e ABC (Academia Brasileira de Ciência) apresentaram uma revisão criteriosa de centenas de estudos científicos publicados, mas o Congresso ainda ignora". "Enquanto isso, o estudo de Miranda vem sendo amplamente utilizado para justificar várias alterações propostas no Código Florestal."(Ascom da SBPC)


Consuelo



sábado, 6 de agosto de 2011

Frei Betto: O terrorista louro de olhos azuis

A mídia americana incutiu no Ocidente o sofisma de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. O que induziu o papa Bento XVI a cometer a gafe de declarar, na Alemanha, que o Islã é originariamente violento e, em sua primeira visita aos EUA, comparecer a uma sinagoga sem o cuidado de repetir o gesto numa mesquita. 

Em qualquer aeroporto de países desenvolvidos um passageiro em trajes islâmicos ou cujos traços fisionômicos lembrem um saudita, com certeza será parado e meticulosamente revistado. Ali reside o perigo... alerta o preconceito infundido. Ora, o terrorismo não foi inventado pelos fundamentalistas islâmicos. Dele foram vítimas os árabes atacados pelas Cruzadas e os 70 milhões de indígenas mortos na América Latina, no decorrer do século 16, em decorrência da colonização ibérica. O maior atentado terrorista da história não foi a queda, em Nova York, das torres gêmeas, há 10 anos, e que causou a morte de 3 mil pessoas. Foi o praticado pelo governo dos EUA: as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. 


Morreram 242.437 mil civis, sem contar as mortes posteriores por efeito da contaminação. Súbito, a pacata Noruega – tão pacata que, anualmente, concede o Prêmio Nobel da Paz – vê-se palco de dois atentados terroristas que deixam dezenas de mortos e muitos feridos. A imagem bucólica do país escandinavo é apenas aparente. Tropas norueguesas também intervêm no Afeganistão e deram apoio aos EUA na guerra do Iraque. Tão logo a notícia correu mundo, a suspeita recaiu sobre os islâmicos. O duplo atentado, no gabinete do primeiro-ministro e na ilha de Utoeya, teria sido um revide ao assassinato de Bin Laden e às caricaturas de Maomé publicadas pela imprensa escandinava. O preconceito estava entranhado na lógica ocidental. A verdade, ao vir à tona, constrangeu os preconceituosos. 


O autor do hediondo crime foi o jovem norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, branco, louro, de olhos azuis, adepto da fisicultura e dono de uma fazenda de produtos orgânicos. O tipo do sujeito que jamais levantaria suspeitas na alfândega dos EUA. Ele "é dos nossos”, diriam os policiais condicionados a suspeitar de quem não tem a pele suficientemente clara nem olhos azuis ou verdes.Democracia é diversidade de opiniões. Mas o que o Ocidente sabe do conceito de terrorismo na cabeça de um vietnamita, iraquiano ou afegão? O que pensa um líbio sujeito a ser atingido por um míssil atirado pela OTAN sobre a população civil de seu país, como denunciou o núncio apostólico em Trípoli? Anders é um típico escandinavo. Tem a aparência de príncipe. E alma de viking. É o que a mídia e a educação deveriam se perguntar: o que estamos incutindo na cabeça das pessoas? Ambições ou valores? Preconceitos ou princípios? Egocentrismo ou ética? 


O ser humano é a alma que carrega. Amy Winehouse tinha apenas 27 anos, sucesso mundial como compositora e intérprete, e uma fortuna incalculável. Nada disso a fez uma mulher feliz. O que não encontrou em si ela buscou nas drogas e no álcool. Morreu prematuramente, solitária, em casa. O que esperar de uma sociedade em que, entre cada 10 filmes, 8 exaltam a violência; o pai abraça o filho em público e os dois são agredidos como homossexuais; o motorista de um Porsche se choca a 150km por hora com uma jovem advogada que perece no acidente e ele continua solto; o político fica indignado com o bandido que assaltou a filha dele e, no entanto, mete a mão no dinheiro público e ainda estranha ao ser demitido?


 Enquanto a diferença gerar divergência permaneceremos na pré-história do projeto civilizatório verdadeiramente humano. 

Caderno de Plano de Manejo Orgânico

Car@s, 

Vejam a publicação do Caderno de Plano de Manejo Orgânico, lançado recentemente pelo Ministério da Agricultura, para ajudar os agricultores a elaborarem seus planos de manejo na propriedade orgânica. A linguagem é simples, indicada ao público da agricultura familiar. Juntamente com outros colegas, pude contribuir na elaboração desse material, de grande utilidade no desenvolvimento da agricultura orgânica no nosso país.

Na página indicada, tem a janela de publicações. Então vc seleciona a data de 2010 e a origem nacional. Depois clica em consultar e baixa o documento, que demora um pouquinho pq é pesado. 
Ou vai pelo slideshare do facebook, se preferir, como no endereço da mensagem abaixo.

http://www.agricultura.gov.br/ ​desenvolvimento-sustentavel/or ​ganicos/publicacoes
 
Claudia Moreira
Dranda. Horticultura - FCA/Unesp
Consultoria Agricultura Orgânica, Agroecologia, Permacultura e Biodinâmica
(62) 8416 - 4882

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Edital de apoio a projetos de pesquisa no Cerrado

Amigos, confiram o novo edital do ISPN para apoio a projetos de pesquisa no Cerrado.

O ISPN receberá, até o dia 15 de setembro de 2011,  propostas de apoio a pesquisas sobre temas relevantes para o uso sustentável da biodiversidade do Cerrado e das áreas de transição para os biomas vizinhos.
Essa iniciativa faz parte do Programa Universidades e Comunidades do Cerrado – UNICOM, desenvolvido com o apoio da União Européia, no âmbito do projeto Florelos.

Abraços
Renato
jenipapos@yahoo.com.br

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Confira as datas de volta às aulas no IFB

Campus Planaltina :

Técnico em Agroindústria- 03/08
Técnico em Agropecuária (Subsequente)- 03/08
Técnico em Agropecuária (Integrado)- 03/08
Técnico em Agroecologia- 03/08

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Controle da qualidade da água no Brasil não acompanha contaminação química

A água potável no Brasil pode conter 22 tipos de agrotóxicos, 13 de metais pesados, 13 de solventes e seis de desinfetantes. Essa presença contaminante é tolerada até níveis fixados em uma escala oficial, que às vezes é ultrapassada por conveniências econômicas e devido a controles inadequados. Até 1977 as autoridades determinavam que a água própria para consumo humano não podia conter resíduos de mais de 12 agrotóxicos e dez metais. Nada sobre os demais. Desde então foram feitas duas atualizações, em 1990 e 2004, “legalizando” os resíduos de novos insumos químicos usados na agricultura e na indústria, lamentou Wanderlei Pignati, médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
Em comparação, a União Europeia só admite cinco agrotóxicos, com limites inferiores aos previstos no Brasil e um total que impede que cada um chegue ao máximo tolerado, cuidado este também não adotado no Brasil. O controle de qualidade da água potável, ainda baseado em eliminar bactérias, não acompanha a crescente contaminação química, que exige equipamentos “caros e sofisticados” em medições complexas, afirmou Pignati, especialista que é referência nacional na pesquisa e na luta contra o que se considera abuso de venenos agrícolas.
O Brasil se converteu, há três anos, no maior consumidor mundial de defensivos agrícolas de cultivos, apesar de produzir, por exemplo, menos de um terço de grãos do que os Estados Unidos. É o custo da liderança em agricultura tropical, alcançado nas últimas décadas e que lhe permitiu exportar US$ 76,4 bilhões em bens deste setor no ano passado. A façanha econômica brasileira se concretizou graças a muita pesquisa agronômica e intenso emprego de fertilizantes, inseticidas, herbicidas e fungicidas, além da aposta nas monoculturas extensivas, especialmente a soja, que se converteu no principal produto das exportações, superando de longe os tradicionais café e açúcar.
O Estado do Mato Grosso, no centro oeste do país e na fronteira sudeste da Amazônia, sintetiza essa mudança ao se constituir no maior produtor nacional de soja e, por extensão, também o maior consumidor de defensivos agrícolas, denominação para os agroquímicos preferidos pelos produtores e camponeses.
Além de expandir a área plantada, o que ocorre a partir do desmatamento, o setor produtor local intensificou o uso de agrotóxicos. “Há dez anos aplicavam-se oito litros em um hectare de soja, hoje são dez litros”, disse Pignati. “Os agrotóxicos são uma droga lícita, como o álcool e o tabaco”, acrescentou ao responder uma pergunta da IPS. O modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro estimula seu uso, isentando-os, por exemplo, do imposto comercial que, no entanto, é aplicado em medicamentos, em uma prioridade reversa, em detrimento da saúde, ressaltou o especialista.
Pignati é um dos ativistas da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lançada no Mato Grosso no começo de junho, que se dedica a estudar o assunto e divulgar seus conhecimentos desde que chegou à conclusão de que é mais eficiente atacar as causas das enfermidades do que formar médicos para tratamentos individuais. Na universidade, vinculou-se ao Departamento de Saúde Coletiva. O Mato Grosso consome cerca de 150 milhões de litros de agrotóxicos por ano, equivalente a 50 litros por habitante, contra a média nacional de 5,2 litros, segundo Pignati.
É inevitável contaminar as águas em um Estado que possui milhares de nascentes fluviais que alimentam as bacias do Rio da Prata e outras quatro amazônicas, alertou Pignati. O sistema de tratamento da água para consumo da população data de “cem anos atrás” e busca retirar contaminantes por decantação, mas muitos produtos químicos escapam desse método e ficam dissolvidos na água, explicou. Seus efeitos não são apenas as diarreias, mas neurológicos, cancerígenos, endocrinológicos, psiquiátricos e sua presença persiste durante décadas.
A “disfunção endócrina”, um tema recente evidenciado pela proliferação de diabetes, hipotireoidismo e outros distúrbios, servem de alerta para esse problema, alerta o médico. O risco sanitário no Brasil aumenta pelo uso de venenos que há muito tempo foram proibidos em outros países, especialmente na Europa. O caso emblemático é o Endosulfan, um inseticida responsável por intoxicações fatais, abortos, má-formação fetal e danos aos sistemas nervoso e imunológico.
Uma resolução governamental de 2010 determina sua abolição gradual no Brasil. O Endosulfan estará proibido somente a partir de 2013, e nas próximas semeaduras ainda será permitida a utilização de 14,8 milhões de litros. Outros 13 produtos estão sendo avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação desses venenos por meio de aviões, o que agrava a contaminação de pessoas, água e biodiversidade devido à dispersão incontrolada, é um alvo prioritário dos ambientalistas.
Uma “chuva de agrotóxicos”, lançada por um avião pulverizador, caiu em março de 2006 sobre Lucas do Rio Verde, cidade de 45 mil habitantes no norte do Mato Grosso, rodeada de soja em uma época ou de milho e algodão, em outra. A intoxicação de pessoas, animais e plantações provocou condenações e amplos debates. Outro grande impacto teve a divulgação em março de um estudo feito por Danielly Palma, coordenado por Pignati, que identificou a presença residual de agrotóxicos no leite materno de 62 mulheres examinadas no ano passado em Lucas de Rio Verde em 2010.
Em todas havia DDE, que é no que se transforma o DDT (dicloro difenil tricoloroetano), e em 44% delas foram encontrados resíduos de Endosulfan. Mas estas críticas e pesquisas são relativizadas por dirigentes políticos do mundo dos grandes negócios agropecuários. A comparação com a Europa é indevida, devido às condições distintas. Os agricultores brasileiros cumprem as regras fixadas pela Anvisa, o órgão regulador do Ministério da Saúde, afirmou Seneri Paludo, diretor-executivo da Federação da Agricultura de Mato Grosso.
A quantidade de consumo de defensivos agrícolas por quantidade de habitantes tampouco é uma medida legítima, acrescentou Paludo. Os agricultores tendem a usar “uma dose inferior à necessária, o que às vezes agrava as pragas”, porque os defensivos representam maiores custos, afirmou. Sua disposição em proteger o meio ambiente se comprova pelo fato de Mato Grosso ser líder nacional em coleta de embalagens de agroquímicos usados, ressaltou o dirigente.
Por sua vez, Edu Pascoski, secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, argumenta que os resíduos identificados nas pesquisas em seu Município “estão dentro dos níveis aceitáveis”, fixados pela Anvisa. Também justificou que o DDT e o DDE permanecem nos seres humanos por mais de 60 anos, por isso o que foi encontrado nos estudos de Danielly Palma pode refletir o uso do produto em etapas muito anteriores à sua proibição em 1998.
Contudo, se forem verificados “abusos no uso de agroquímicos”, isso será devido a permissões dadas por autoridades nacionais, afirmou Pascoski, após garantir que sua cidade apresenta bom desempenho ambiental, com um acompanhamento constante da qualidade da água potável, áreas de proteção preservadas ou em recuperação e abundante vegetação. 
Reportagem de Mario Osava, da Envolverde/IPS